Será que o remake de Pantanal repetirá o sucesso de versão original?

Rede Globo aposta tudo na novela Pantanal, remake de enorme sucesso televisivo dos anos 90, mas o sucesso ainda não está garantido

Se você, assim como eu, já está flertando com a casa dos 40 anos, é bem provável que se lembre das aventuras de Juma Marruá, a moça brava e matuta que vivia com uma espingarda na mão, pronta para atirar em quem ousasse invadir suas terras. A moça também virava onça, vagando pela mata nas noites de lua cheia. Tão intrigante quanto original, a história contada na novela Pantanal, que foi ao ar em 1990 pela já extinta Rede Manchete, cativou o coração do país inteiro e até hoje é uma das novelas mais populares de todos os tempos. Não é à toa, portanto, que a Rede Globo decidiu investir alto no remake da produção, mais de 30 anos depois.

Lá nos anos 90, quando não havia internet e muito menos as plataformas de streaming, como Netflix e Globoplay, a novela Pantanal, escrita por Benedito Ruy Barbosa, deu dor de cabeça para a Globo, que lutava para se manter líder de audiência no segmento. Para se ter uma ideia, a trama Rainha da Sucata, protagonizada por Regina Duarte e Tony Ramos, é do mesmo ano. O último capítulo de Pantanal, aliás, foi veiculado no mês de dezembro, uma semana antes do Natal, já no período de férias escolares, e parou o país inteiro como poucas vezes vi se repetir. Afinal de contas, por que Pantanal foi uma novela tão boa?

Acredito que a primeira parte dessa resposta está na inovação. Em vez de se concentrar nas dinâmicas das grandes cidades, barulhentas e caóticas, Pantanal trouxe imagens lindíssimas do exuberante bioma homônimo, pouco conhecido de boa parte dos brasileiros. Além disso, a direção inovadora de Jayme Monjardim, conferia às cenas um ritmo mais lento, interiorano, em que a real protagonista era a natureza, e não as personagens. Muito diferente do que se fazia à época.

Mas se você, que perdeu a obra de arte que foi a versão original de Pantanal, pensa que as personagens eram enfraquecidas pela fotografia da produção, está muito enganado. Ao contrário, é parte do mérito da novela da Rede Manchete incluir ótimos atores e um elenco muito bem entrosado. Mérito adicional está na escolha dos profissionais, muitos rostos então desconhecidos que se tornaram famosos, incluindo Cristiana Oliveira (Juma Marruá), Ângelo Antônio, Marcos Winter e até mesmo o brilhante violeiro Almir Sater.

Pantanal foi também uma aposta arriscada da emissora e seu proprietário Adolpho Bloch, que bancou tanto a saída de Benedito Ruy Barbosa da Globo quanto o investimento pesado na produção do folhetim em padrões muito diferentes do habitual. Bloch já vinha investindo na produção própria de telenovelas, e dessa leva saíram tramas de altíssima qualidade, como Dona Beija (texto de Carlos Heitor Cony e direção de Herval Rossano, de 1986) e Kananga do Japão (de 1989, com roteiro também de Cony e direção da consagrada cineasta Tizuka Yamazaki). Pantanal foi a cereja desse bolo, e nunca mais a emissora repetiu o mesmo êxito.

Por falar em Kananga do Japão, foi a novela que revelou Cristiana Oliveira. Considero um acerto do remake de Pantanal escolher uma atriz desconhecida para o icônico papel de Juma. Tomara que Alanis Guillen dê conta do recado à altura, e a nova Juma não se torne apenas uma caricatura do que um dia já foi. Aliás, torço para que todos os atores repitam o sucesso da trama original. Olhando para o elenco, ainda tenho algumas dúvidas. Quem acertar, pode ter nas mãos o papel mais importante da carreira, e isso vale até mesmo para a já popular Juliana Paes (no papel da mãe de Juma, que foi de Cássia Kiss).

Se você não viu a primeira versão de Pantanal ou não se lembra muito bem, já te conto que temas bem espinhosos serão abordados, como a disputa de terras, nudez e o preconceito em relação ao amor entre jovens de distintas classes sociais. Espero sinceramente que a Globo aposte em uma trilha sonora de alta qualidade e bem brasileira, como a original, que era simplesmente espetacular. Estou ansiosa pela abertura da novela, aliás, que sempre foi um show à parte.

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Ainda é cedo para dizer se o remake de Pantanal vai repetir o sucesso da novela original. De acordo com pesquisa encomendada pela própria Globo, 70% dos entrevistados garantiram que irão assistir à trama. Serei parte dessa porcentagem com certeza, até porque tenho muitas memórias afetivas que incluem o folhetim. Todavia, estou tentando baixar minha expectativa de noveleira e assistir com olhos menos emocionados. Em breve saberemos se a nova produção acertará o alvo tão em cheio quanto a primeira.

Quem assina a escrita dos capítulos da nova Pantanal é Bruno Luperi, neto de Benedito Ruy Barbosa, que está às vésperas de completar 91 anos. A aguardada estreia da superprodução da Globo está marcada para a próxima segunda-feira, dia 28 de março, no horário das 21, depois do Jornal Nacional.

Sobre Dyala Assef: colunista do Movimento Country, professora universitária e noveleira.